Girls: overeducated and underemployed

Girls é uma série da HBO. Criada e estrelada por Lena Dunham (“Hanna Horvath” na série), o espetáculo é um olhar cômico às humilhações sortidas e triunfos raros de um grupo de garotas em seus 20 anos vivendo na cidade de Nova Iorque. Lena escreveu o roteiro da série baseada em suas experiências pessoais.

Lendo essa sinopse, é inevitável não pensar em “Sex and the City”, até hoje uma das minhas séries preferidas. E confesso que foi justamente essa semelhança que me levou a assistir “Girls”. Mas qualquer semelhança é mera coincidência e essas quatro meninas dificilmente chegarão a ser Carries, Mirandas, Samanthas ou Charlottes.

A personagem principal, Hanna, tem 24 anos, é formada em literatura há pelo menos 2 anos e está em um estágio não remunerado. Está 6 quilos acima do peso e ainda é sustentada pelos pais. Marnie é recepcionista em uma galeria de arte e namora há 4 anos com um homem que ela não ama mais. Jessa é uma estudante de filosofia que ainda não descobriu seu lugar no mundo e Shoshanna ainda é virgem.

Uma coisa a série deixa bem clara desde o seu episódio piloto. Elas são quatro jovens completamente perdidas. Nada de roupas bonitas e trabalhos fascinantes. Nada de busca pelo amor em uma cidade grande. Nada de mulheres seguras e autoconfiantes. Os apartamentos são pequenos, as roupas são encardidas, os lugares são sujos e os homens estão tão perdidos quanto elas. Adam, o casinho de Hanna, por exemplo, pauta sua vida sexual pelos filmes pornôs, o que, apesar de ser incrivelmente deprimente, nos faz pensar em como será a vida sexual de uma geração que assistia filmes pornôs antes mesmo de pensar em sexo.

A série é estranha, muito estranha, mas, de alguma forma, ela me prendeu. Ela é ao mesmo tempo deprimente e fascinante. Consigo me enxergar em cada uma dessas meninas. É impossível, tendo a idade que eu tenho e vivendo a vida que eu vivo, não me identificar com uma mulher-menina de 24 anos que está muito bem educada e desempregada. Em diversos momentos da série, achei Hanna preguiçosa, egoísta, mimada e boba para, no momento seguinte, pensar que eu talvez também seja todas essas coisas. E durante toda a série não pude deixar de me perguntar: meus amigos e eu ainda somos sustentados pelos pais porque somos preguiçosos, mimados, egoístas e bobos ou porque a nossa geração está realmente vivendo um mundo em crise?

Em um determinado momento da série, Hanna diz que é a voz de uma geração ou que pelo talvez seja. E talvez seja exatamente isso que Hanna seja. A voz de uma geração que nem saber sabe se é ou não uma voz. A voz de uma geração perdida que só quer, acima de tudo, sobreviver, mesmo que sem um grande amor, um grande emprego ou um belo par de sapatos.

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