Se mexendo no México

Meu tempo deste lado do continente americano está realmente apertado, mas eu não aguento ver o Revoada assim, paradinho. Eu sei que debaixo do Equador o carnaval tá correndo solto, mas do lado de cima o bicho tá pegando… Por falar em bicho pegando, decidi contar mais um pouco do que significa viver numa megalópole mexicana. E, dessa vez, vou direto ao pânico de qualquer cidade grande: o transporte.

Se mover em DF é muito fácil e MUITO barato. O problema é que, como tudo no México, só é fácil depois que você entende a lógica cruel das coisas. Mas vamos começar pelo começo. E o começo é que essa cidade não é feita para pedestres. Por isso amo tanto meu bairro, porque é um dos poucos bairros “andáveis” nessa cidade. Como assim, Sami? Assim, minha gente: aqui em geral não tem iluminação pública, lojas de rua, as distâncias são inacreditáveis, e muitas vezes a rua não tem nem calçada, é construção e asfalto juntinhos. Pior: muitos lugares não têm nem entrada pra pedestre. Ou você divide o caminho com um carro, ou você entra no lugar dentro de um.

Mas e como as pessoas que não têm carro se movimentam, Sami? Aí vem a parte da lógica cruel. Depende da origem e do destino. Tem lugares que por motivos “estratégicos” não tem transporte público. Sim, tem muitas Higienópolis por aqui, os ricos não querem “lotação” perto deles. E claro, quanto mais no centro, mais “caminhável” e mais democrático for o lugar, melhor o transporte pra chegar até lá. Se você vai pra um lugar bizarro, provavelmente não vai ter nem metrô nem ônibus que te leve: aí entra no jogo as sagradas bicitaxis. As melhores são construídas como tal, mas no geral, soldam um banco no fundo de uma bicicleta, transformando num triciclo com lugar pra duas pessoas. E fazem até toldo pra te proteger da chuva!! Pense nas pernas dos bicitaxeiros?

Os ônibus são um caso à parte. Como tudo aqui no México, é uma máfia bizarra, e eles estabelecem as rotas e os preços entre eles mesmo. Segurança? Não tem catraca, o motorista é quem cobra, a maior parte dos buzus com certeza são tão velhos que deviam ir pra um museu. E, pra completar, nego dirige com lotação máxima e de porta aberta. Mas tudo tem sua beleza, e no geral só custa 3 pesos subir em um (tipo menos de 50 centavos de real). E quando você entra, compartilha um pouco da vida daquele motorista, que decora o buzu a gosto. E que gostos!! Olha aí embaixo!

Pega no balanço, segura e vem!

A ideia é a seguinte: o metrô e o metrobus (ônibus biarticulado que tem via exclusiva) distribuem a massa pela cidade. A verdade é que o serviço é muito bom e muito barato (metrô é 3 pesos e metrobus é 5 pesos, sendo q 1 real = 7 pesos), e muito bem planejado também. Aí os buzus e buzinhos são os capilares que chegam a todas as partes. Eles não têm pontos certos (na prática), às vezes até desviam o caminho pra fazer um favor pra alguém. E, claro, nunca trazem o roteiro, você tem que perguntar e confiar no GPS interno que todo mundo que vive aqui acaba desenvolvendo. Se não chegar de buzu, aí vai de bicitaxi! Te garanto, você chega em praticamente qualquer lugar, e se o metrô não quebrar (acontece nas melhores cidades), com certeza você chega mais rápido que o carro também.

Mas você tá com pressa ou quer ir pra um lugar de rico. Não tema. Entre num táxi com muita fé (pode acontecer de terem um “diablito” no taxímetro), e rode à vontade. Se você chegar em 40 reais, é porque você saiu da cidade (inclusive as conurbadas), eu agarantchu. Sério. Seríssimo. É uma tentação não converter aqui, senão eu vivia charlando de táxi (mas a gente ganha em pesos *cara de muxoxo*). Ou então você pega o carro e… leve música, material de leitura, listas do que fazer, e telefone, para todas as ligações atrasadas. O sistema vial daqui é fantástico, a cidade é uma malha de vias rápidas, super bem conectadas, e te juro que em uma madrugada a cidade parece minúscula porque você chega voando a qualquer parte. Maaaaaaaas… em uma megalópole existe megatráfego, megaengarrafamento, mega tempo perdido. Por isso a gente toma café da manhã, eu me maquio, fazemos as listas da semana e discutimos assuntos importantes no carro.  Sim, o carro é uma extensão da nossa casa. Mas fazer o quê, né? O caminho que a gente faz em menos de 10 minutos em um domingo, são entre 30 min a 1h30, dependendo do humor do trânsito. O negócio é estar preparado sempre pra aproveitar o tempo.

E porque eu queria contar tudo isso? Porque eu literalmente cruzo a cidade todos os dias pra ir pro trabalho voluntário e queria dividir com vocês como é normal que uma pessoa pegue um buzu, uma linha de metrô quase inteira, outro buzu e ainda ande uns 5 a 10 minutos pra chegar no destino. E gasto menos de 3 reais de ida E volta. Isso é DF. Uma cidade tão mega em tudo que você começa a achar mega distâncias e preços ridículos normais. E outras coisas também que eu falarei em outros posts…

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Quem Revoa: Sami

Não cruzou sete mares, mas conta na sua lista o Atlântico, o Canal da Mancha, o Golfo do México, o Mediterrâneo e o Caribe. Ainda não sabe aonde vai ser seu próximo porto, mas, enquanto não se decide, continua navegando.