A Pele que Habito, ou como contar algo perturbadoramente singular

Não se assuste com mais um post. É que ainda estou digerindo o mais recente filme de Pedro Almodóvar – A pele que habito, 2011 (IMDB). Indefinível em uma frase… Como me toca é um mistério, mas é certo o seu impacto no meu olhar.

Veja, este é um filme de quadros longos, focados em pedaços metículosos de uma realidade/rotina quase próxima e ao mesmo tempo irreal, beirando o conto de fadas sombrio, mesmo tendo a bela paleta de cores vibrantes, toque especial do diretor.

Há vermelho. Sim e como há, mas sua presença marcante é cruel, sutil e pontual. Nada, eu repito NADA, está lá sem propósito ou de forma aleatória. É um filme de detalhes e com uma narrativa particular. Nunca vi Antonio Banderas tão interesante e limpo… Numa atuação sem gags e contrita. Sua fúria, quando há, é como uma chama focada letal, mas de poucos gestos. Acho que quando atua em sua língua pátria, nosso amigo deixa fluir o que de melhor há em sim. Para mim o filme é ele, apesar de que as damas que lhe fazem companhia na tela são indiscutívelmente atrizes fortes.

Foi o filme dele mais soturno que vi. E ao mesmo tempo é simples em sua premissa: há ódio, amor e vingança. Receita simples, mas que nas mão hábeis pode surpreender.

Eu recomendo, mas digo logo: evitem as resenhas e spoilers. Vejam sem previa. Sentem na poltrona do cinema e sejam testeminhas. É MUITO melhor.

AVISO: Comentários a este post que contenham spoilers do filme serão sumariamente deletados ok? Não vamos estragar esse trabalho contando as surpresas. Obrigada.

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Quem Revoa: Eve

De mim sei pouco. Sou mais dedicada a entender o outro. Orgulhosa e muito cabeça-de-vento tenho uma queda pelo drama. Amo incondicionalmente e odeio na mesma intensidade. Então... vamos descobrir novos horizontes.